GALERIA

Descrição audiovisual da exposição.

Análise iconográfica resumida da série Num-se-Pode.

A Série Num-se-Pode é composta por três obras intituladas por “Num-se-Pode Pode”, “Num-e-Pode no olhar ébrio” e “Num-se-pode, Não?”, uma tríade composta pela personagem do folclore teresinense e que está sendo recontada no olhar do artista abordando aspectos socioculturais.

A técnica utilizada na obra “Num-se-Pode Pode” é a acrílica sobre o tecido. E a obra mostra uma composição com vários planos, as camadas trabalham com a ideia de volatilidade corpórea e as formas geométricas contrastam com as pinceladas livres espalhadas pela tela.

A personagem é colocada no primeiro plano parcialmente e é o único elemento concreto, porem não totalmente visível na pintura.

A técnica utilizada na tela “Num-e-Pode no olhar ébrio” é a tinta acrílica sobre o papel. Nela há uma pincelada menos precisa, mas delimitando um ser não corpóreo que se mistura ao ambiente, todo o cenário é turvo e as cores demonstram uma ausência do verdejar típico do ambiente urbano, há uma presença de reflexos demonstrando a presença do elemento que divide a cidade entre rios, local onde foi consagrada a lenda. A referência do título tem o intuito de confundir, pois soa como se o olhar do observador fosse o olhar ébrio e turvo, porém coloca a imagem da personagem em pé de igualdade com o cenário geral, o que demonstra uma uniformidade.

A técnica utilizada na tela “Num-se-pode, Não?” é a tinta acrílica sobre o papel. E é possível notar uma pincelada solta. A única imagem mais nítida é a da Num-se-Pode, as cores são espalhadas e sem delimitação clara, há uma presença de referências também ao cenário urbano e a personagem não apresenta nenhum esforço ao acender o seu cigarro. A ação, embora não nítida, demonstra certo domínio em relação ao evento.

A série "A Poética do Confinamento no Corpo"

A série que nomeia a exposição é composta pelas telas “Livre!”, “O homem-peixe-pássaro” e “Quarentena”. As telas são pintadas com tinta acrílica sobre o papel no tamanho A3 (30cmx42cm).

Há uma predominância da cor azul nessa série e o ambiente mescla a materialidade com um universo onírico , além disso as figuras estão isoladas no centro da cena fazendo com que os elementos sumam por trás do sujeito principal da imagem. A segunda cor que predomina é o preto, que delimita a cena ou as personagens. O elemento central da cena forma uma figura geométrica e sempre a nudez aparece como se a intenção fosse expor os detalhes do corpo, mas que não são revelados completamente.

 

A sobreposição de camadas vai revelando a delicadeza do desenho aos poucos, dessa forma as imagens mais distantes da cena principal perdem-se, ficando indefinidas para dar uma ideia de distanciamento.

A pintura "Livre" foi a primeira pintura da exposição, feita há alguns meses, mas ficando inacabada. Inicialmente existiam raízes prendendo o personagem e a pintura se chamava “Liberdade”, mas posteriormente com a alteração ela passa a se chamar “Livre!” e ganha novos tons azulados. Nesta tela o artista utiliza apenas três cores (Azul, Preto e Branco) em tons variados para compor a cena.

Na pintura “O homem-peixe-pássaro” as pinceladas são mais brutas, porém os detalhes no primeiro plano são bem delicados e detalhistas. O branco aparece como um tom imagético rompendo com a escuridão da cena - que é a parte estruturante e é tingida por azul e preto. O cenário no plano de fundo demonstra um ambiente urbano sugerindo prédios históricos de Teresina e a presença do banco (assento) de concreto sugere essa localização, só que em vez da escultura que sustenta os bancos (comuns em praças e locais de lazer) há a presença de um polvo que também aparece na cabeça do personagem e deixando a grande dúvida sobre o que seja realidade e sonho. Essa confusão fica sugerida no sombreamento do personagem que não segue uma lógica da anatomia humana real, mas que aparece de forma realista nos desenhos dos animais.

 

Já em “Quarentena” temos a pincelada geométrica menos realista. O excesso de prédios sugere um sujeito em algum centro urbano, mas cada vez mais apagado. Temos três cenas acontecendo: a primeira é o personagem central com a mão na cabeça e escondendo a outra mão (não sabemos o que ele carrega ou mesmo se carrega alguma coisa); a outra cena é uma forte iluminação alaranjada no canto esquerdo superior da pintura, aparentemente lembraria o sol ou uma iluminação artificial rompendo com o azul e tons de preto; e a uma terceira cena que acontece de forma menos perceptível se passa no plano de fundo com os prédios parcialmente apagados. Nesta última cena um lado da cidade parece não ter janelas acesas e o outro ainda possui algumas luzes. O sujeito apresenta cores vibrantes no mesmo tom das luzes emitidas pelas janelas. O excesso de escuridão revela um vazio na cena urbana, mas também o apagamento de um lado da população que não tem acesso aos melhores hospitais num período de quarentena.

O que seria a poética do confinamento nesse corpo?

Série Estaiada Onírica

Esta série faz parte do repertório do artista e está presente em diversos momentos, pois ela aborda temas urgentes que estão presente no dia a dia dos teresinenses. As pinturas feitas com tinta acrílica sobre a tela em tamanhos variados mostram a Ponte Estaiada, considerada o cartão postal de Teresina.

Com pinceladas mais soltas e usando tons contrastantes, o artista divide a imagem em duas e geralmente coloca a ponte mediando essas cores em tons mais escurecidos. Existem linhas horizontais distribuídas ao longo da pintura que se dissipam ao chegarem na linha do horizonte ou minguam no ponto de fuga.

As cores usadas são vibrantes e frias. E, mesmo que apareça o Sol na imagem, o ponto mais claro sempre estará concentrado em torno do mirante da ponte. Nesse horizonte há duas cores, uma representando a zona Leste e a outra representando a zona Norte da capital, pois o artista brinca com a ideia de apartação na cidade que concentra um dos maiores índices de desigualdade no país.

Essa diferença fez com que fosse impresso na pintura um conflito cromático simbólico. Nesse sentido, a obra representa um dos lados como detentor desse sol que ilumina, mas esvanece.

As pontes revelam uma estrutura rígida, uma construção de uma identidade imposta que tenta soterrar todas as individualidades ao passo que é vendida como um cartão postal, como uma representação desse ser radicado e gestado na cidade entre rios. Contudo também revela um discurso que foi solidificado no imaginário teresinense, por isso a ponte é pintada muitas vezes pontilhada ou se desintegrando. Além da estética, o artista optou por apresentar a sua ideia sobre o culto ao desenvolvimento mostrando o maior símbolo usado pelos governos: as obras faraônicas.

A ponte que deveria unir é rígida e está pulverizada nas nossas mentes, portanto aparece em forma de discurso. Ela é o desejo interno por uma modernidade que abandona os rios e investe nas catedrais da compra: o shopping. E está cercada por águas que refletem esse horizonte e mostra em tons escuros ou turvos uma devastação silenciosa que também é acordada por todos nós, os atores sociais que poderiam modificar a realidade, mas que permanecem inertes.

Nunca há pessoas por perto porque a tela representa o todo, o cenário completo ornamentado de cores. A Estaiada Onírica é um discurso na nossa mente e isso fica evidente ao refletirmos na forma como a defendemos como parte da nossa identidade.

Série São Serafim

A série São Serafim é composta pelas pinturas “Frei Serafim” e “São Benedito Sobre o Sangue dos Escravizados” pintadas com tinta acrílica sobre a tela no tamanho 30cmx40cm. As pinturas usam paletas de cores diferentes, mas mostram elementos do cristianismo que são referência para a cidade mesopotâmica.

A obra “Frei Serafim” apresenta a estátua do personagem vista de baixo para cima como se estivesse acima dos espectadores. A imagem demonstra, pelas cores escolhidas, certo envelhecimento que pode ser confirmado no grau de deterioração da parede ao fundo. Além disso, o vitral da igreja é visualizado em um ângulo que parece estar em torno da cabeça do santo fazendo referência aos halos, amplamente usados nas artes ao longo do tempo para imprimir uma ideia de heroísmo, divindade ou santidade. O envelhecimento da parede da Igreja são benedito demonstra um abandono e a presença de plantas em um local movimentado e revestido por um calçamento é uma sugestão de uma cidade abandonada cuja vegetação começou a brotar no canteiro central.

Frei Serafim era italiano, nascido em Catânia e arquiteto. Ele ajudou os negros, com o seu conhecimento, a erguer o terceiro tempo católico de Teresina. As igrejas do Amparo e Nossa Senhora das Dores não permitiam a presença dos negros no século XIX, portanto os negros ocuparam o Alto da Jurubeba e ergueram a Igreja São Benedito com seu próprio trabalho, dinheiro e esforço. Ali no solo que já tinha sido um cemitério eles construíram uma capela de palha onde homenageavam os mortos e celebravam o santo que intitulou a igreja.

Os negros se uniram e nos festejos do padroeiro para comprarem a alforria de pelo menos um dos escravizados com o dinheiro economizado. O pesquisador Fonseca Neto conta que o entalhador das portas da Igreja era um artista negro, Sebastião Mendes, e a sua criação é a única obra de arte tombada pelo Iphan no Piauí. O artista entalhou cinco das sete portas da igreja e morreu em 1886 antes de concluir o trabalho.

Diante da história por trás da igreja é possível entender a obra intitulada “São Benedito sobre o sangue dos escravizados”, pois o teor da obra mostra como a história dos negros em Teresina foi invisibilizada e como esse processo é o reflexo de quem somos.

A tela demonstra um horizonte despido de prédios, um azul turvo e as cores da igreja associando aos verdadeiros responsáveis pela sua fundação, além disso o solo e as cruzes estão tingidos de vermelho e as portas e vitrais da igreja foram os únicos elementos colocados em destaque.

O peixe francês no Vale do Até

A pintura feita com tinta acrílica que leva várias camadas nasce para homenagear a música “A lenda do peixe francês” e a tela tem o tamanho de 100cmx70. A pintura traz alguns tipos de pinceladas que formam camadas geométricas dividindo os espaços dos personagens da imagem em quadrantes diferentes. Eles não apenas estão separados pela altura como pelos lados e além da imagem a única forma de comunicação são bolhas que não garante uma total compreensão das linguagens dos dois seres. Há pinceladas soltas pela tela e os personagens tem tanto partes definidas, como se desintegrassem de maneira sutil na tela.

A tela fala de paixão, amor, romance e admiração e o título fala de um lugar destinado sempre ao trânsito, nunca estando estabilizados, como se algumas emoções se equiparassem a um rio cujas águas nunca param, mas o encantamento acaba se tornando uma ação contra a corrente, pois é o ato de parar enquanto o fluxo segue. Nesse pequeno momento o impossível se faz presente e até as castas perdem os seus significados, contudo mesmo assim isso não significa uma possibilidade do encontro, da materialização dessas pulsões.

Assim a pintura mostra um fluxo e os elementos principais da imagem estão centralizados em quadrantes na tela para causar uma sensação de proximidade ilusória que varia conforme o lugar que se observa a tela.

Miolo do Boi

 

O Bumba meu Boi na verdade é uma das brincadeiras feitas para mostrar a força deste símbolo tão presente na cultura brasileira, o rastro do boi varreu o brasil e deixou no imaginário popular histórias, cantigas, danças, entre outras formas de expressões desse elemento cultural.

Portanto na pintura vemos a materialização de um boi como uma fantasia da vivência do miolo, no bumba meu boi, e mostrando que cada boi tem a sua personalidade, a sua forma de ser, porque revela particularidades de cada brincante. As pinceladas são soltas, mas o desenho do boi é mais preciso. Embora os tons azulados e gotículas coloridas exponham mais o carácter onírico da pintura.

A tela pintada com tinta acrílica no tamanho 100x70.

série Ipês

A série Ipês é pintada na tela 30x40cm e/ou no papel A3 30x42cm com tinta acrílica.

 

Os cincos quadros são partes dos tipos de ipês.

 

O plano de fundo tem tons de azul que se perde no horizonte, mostrando uma riqueza de cores presente na região.